quinta-feira, 5 de maio de 2011

Energias renováveis devem crescer até 2050

Energias renováveis, como eólica ou solar, têm tendência de crescimento até 2050, e os esperados avanços em tecnologia devem trazer importantes reduções de custos, mostrou um estudo da Organização das Nações Unidas divulgado nesta quarta-feira.
O mais abrangente panorama do setor da ONU diz que a energia renovável, excluindo-se bioenergia --que consiste basicamente na queima de madeira por países em desenvolvimento para cozinhar ou aquecimento--, pode se expandir de três a 20 vezes até metade deste século.
"O custo da maioria das tecnologias de energia renovável recuou, e significativos avanços técnicos adicionais são previstos", mostrou o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês) em um estudo obtido pela Reuters, baseado na revisão de 164 cenários.
"Mais reduções de custos são previstas, resultando em maior potencial de diminuição das mudanças climáticas e na redução da necessidade de medidas para garantir uma rápida implantação", disse o comitê. O IPCC se reunirá em Abu Dhabi de 5 a 13 de maio.
O IPCC disse ainda que muitos cenários apontaram para um "substancial aumento na implantação de energia renovável até 2030, 2050 e além disso."
Em 2008 a produção de energia renovável foi calculada em cerca de 12,9 por cento do suprimento global de energia primária e foi dominada pela bionenergia, com 10,2 por cento, seguido pela geração hidrelétrica, eólica, geotérmica, solar e energia dos oceanos.
A expansão projetada deve continuar mesmo sem novas medidas para promover uma transição de combustíveis fósseis, como parte de uma luta liderada pela ONU contra a mudança climática, disse o IPCC.

MPE irá investigar abusos no preço do combustível

A reunião realizada na manhã de ontem, no Ministério Público Estadual (MPE), com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Estado do Pará (Sindicombustíveis), resultou na promessa do promotor de Justiça de Defesa do Consumidor, Marco Aurélio Nascimento, de investigar possíveis abusos no aumento do preço do combustível no Pará.
Segundo o presidente do Sindicombustíveis, Alírio Gonçalves, os reajustes são ocasionados pelo aumento do preço do álcool anidro, que é repassado pelas distribuidoras. “De janeiro para cá, o combustível já aumentou 20% para o consumidor por causa do aumento repassado pelas distribuidoras aos postos. O que elas alegam (distribuidoras) é que o álcool anidro repassado pelas usinas às distribuidoras já aumentou 117%”.
Para tentar coibir o aumento do produto na capital, o sindicato apresentou ao MPE os dados de reajustes repassados aos donos de postos nos últimos meses. “Queremos que se tome uma providência sobre o aumento”.
Diante das informações repassadas pelo sindicato, o promotor Marco Aurélio resolveu investigar os possíveis abusos que podem estar acontecendo no setor. “Vamos solicitar para as distribuidoras as notas fiscais das compras de gasolina e etanol e juntá-las com a pesquisa realizada semanalmente pela Agência Nacional do Petróleo, que identifica a venda no posto. Através da análise contábil dessas informações, vamos saber se há um abuso que possa ser questionado judicialmente”.
Alírio afirma que ainda há a possibilidade de aumento no combustível ainda nesta semana por outros motivos. “O governo federal já disse que vai aumentar a gasolina por conta das importações, então, a qualquer momento pode haver novos aumentos”.

PT doou R$ 11,1 milhões

O apoio de partidos aliados à campanha da presidente Dilma Rousseff custou ao PT mais de R$ 11 milhões em 2010. Alguns dos beneficiados com recursos petistas são partidos pequenos, nanicos até, e de atuação periférica no Congresso.
Outros, como o PSC, chegaram a flertar com a oposição, mas acabaram caindo nas graças da chapa vitoriosa após muita negociação política.
A prestação anual de contas de 2010, apresentada pelos partidos e divulgada ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também mostra que as principais siglas do país fecharam o ano de eleições com a conta no vermelho. As dívidas acumuladas por nove siglas somam R$ 37,4 milhões.
O PT carregou para este ano rombo de R$ 15,9 milhões, o maior entre todas as legendas. Só o valor para irrigar os cofres de aliados é dois terços do débito. Partido que chegou a anunciar apoio a José Serra (PSDB), voltando atrás pouco antes do início da campanha, o PSC foi recompensado com o maior montante: R$ 4,75 milhões.
Além de minar a campanha adversária, os petistas faturaram 20 segundos na propaganda eleitoral e, de sobra, levaram para o Congresso uma bancada cristã fiel e turbinada. A agora legenda governista elegeu 11 deputados, mas já cresceu e hoje desfila com 18 deputados.
Em maio do ano passado, o PSC chegou a indicar o ex-senador Mão Santa (PI) para vice na chapa presidencial do PSDB. Após abandonar o barco tucano, num acordo em junho com o PT, obteve sete repasses, de R$ 250 mil a R$ 1 milhão. Os valores foram para a direção partidária e, nos mesmos dias, pingaram nas contas do comitê eleitoral. Os maiores aportes vieram na reta final do primeiro turno (R$ 3,5 milhões), quando Dilma precisava reforçar seu prestígio com os evangélicos para afastar a pecha de candidata pró-aborto.
— Não teve imoralidade nem ilegalidade. E não fizemos nenhuma barganha financeira por apoio. O PT ajudou porque fomos parceiros, pegamos firme na campanha — assegura o vice-presidente do PSC, Pastor Everaldo, acrescentando que o tesoureiro do partido teve de "martelar" pedidos aos petistas.
Segundo ele, a primeira ajuda veio em 30 de agosto, cerca de 60 dias após o anúncio de apoio a Dilma. Os repasses mais vultosos foram, diz o PSC, para produzir material contra boatos sobre aborto, já que o próprio PT tinha pedido auxílio. Os repasses finais, de R$ 750 mil em outubro e novembro, teriam sido para cobrir dívidas de campanha.
Coincidência ou não, a tesouraria petista também foi generosa com o PDT do Paraná, que só decidiu abraçar a candidatura de Dilma poucos dias antes do início da corrida eleitoral.
Até o fim de junho, o candidato derrotado ao governo do estado pelo partido, Osmar Dias, refletia entre concorrer ao Senado ao lado dos tucanos ou entrar numa disputa com Beto Richa (PSDB), que foi eleito no primeiro turno, para dar palanque a Dilma. O PT levou a melhor e o PDT não saiu mal, ao menos nas finanças: recebeu R$ 3,7 milhões.
Dois nanicos, PTN e PTC, receberam R$ 500 mil cada do PT, como reforço de caixa. O mesmo tanto foi doado a PRB e PR (cada um), este sucessor do PL, legenda aliada que teve o nome envolvido no escândalo do mensalão. À época, o PL teria firmado acordo de R$ 12 milhões com o ex-tesoureiro Delúbio Soares.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

6,6% Inflação para o ano que vem

A divulgação dos índices desta semana confirma que a escalada corrente dos preços ainda não deu trégua. Mas o que os indicadores não mostram é o risco para a inflação de 2012, quando o Banco Central (BC) promete levá-la ao centro da meta de 4,5%.
A principal ameaça é o reajuste de dois dígitos do salário mínimo - estimado entre 13% e 14% pelo mercado. O impacto deve ser de R$ 22,8 bilhões só de gastos adicionais nas contas federais, segundo a consultoria Tendências.
Isso é o que o governo vai desembolsar com previdência, seguro-desemprego e Lei Orgânica de Assistência Social (Loas). O efeito potencial do aumento é de uma alta de 0,8 ponto percentual no IPCA ou mais de 20% do alvo para o ano.

Petrobras vai importar mais um milhão de barris de gasolina

A Petrobras vai importar mais um milhão de barris de gasolina neste mês para atender o forte aumento do consumo que vem sendo verificado nos últimos meses.
A informação foi divulgada pelo diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa ao explicar que a demanda de gasolina cresceu em torno de 4,5% no primeiro trimestre deste ano, o mesmo percentual dos demais combustíveis.
Esta é a segunda vez este ano que a companhia é obrigada a importar gasolina para atender o mercado doméstico. Em abril, a Petrobras importou 1,5 milhão de barris.

Impostômetro chega a meio trilhão

O impostômetro vai atingir a marca de meio trilhão por volta das 14h10 desta quarta-feira (4), de acordo com a ACSP (Associação Comercial de São Paulo). O montante representa o quanto o brasileiro pagou em impostos federais, estaduais e municipais em 2011.
Neste ano, a marca será atingida 21 dias antes da data do ano passado, quando o impostômetro marcou R$ 500 bilhões em 25 de maio. Em 2009, o valor chegou no dia 24 de junho. Até o fim de abril de 2011, foram R$ 486 bilhões pagos em tributos aos governos.
Em 2011, os governos federal, estadual e municipal devem arrecadar R$ 1,4 trilhão em tributos, segundo estimativas da ACSP. O montante é quase o dobro do total arrecadado em 2005 - R$ 732,87 bilhões - e, se for atingido, será o novo recorde do impostômetro.
Nenhum ano bate o total arrecadado em impostos em 2010, quando os cofres públicos abocanharam R$ 1,27 trilhão. Em 2009, foram R$ 1,09 trilhão. Em 2008, R$ 1,06 trilhão em impostos.

Justiça pode reconhecer união civil gay

Os 11 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) devem decidir nesta quarta-feira (4) se reconhecem como “entidade familiar” a união entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. Na prática, o julgamento de hoje – que deve fundamentar a análise de outras ações no país – irá decidir se casais homossexuais terão os mesmos direitos garantidos por lei aos casais heterossexuais.
Para tanto, duas ações serão analisadas pela Justiça: uma encaminhada há mais de dois anos pelo governo do Rio de Janeiro, que pede que os casais homossexuais de servidores públicos tenham os mesmos direitos que os heterossexuais; e outra, de autoria da PGR (Procuradoria-Geral da União), que argumenta que o não reconhecimento dos direitos dos casais gays fere a Constituição Federal.
O presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Toni Reis, disse estar otimista em relação à análise do STF. Para ele, o julgamento deve entrar para a história “de todos aqueles que lutam pela igualdade”, caso os ministros concordem com as reivindicações.
- É uma oportunidade histórica que a Justiça tem de nos conceder os 78 direitos básicos negados, até hoje, pelos quais brigamos há muitos anos.
Entre os 78 direitos negados pela União, segundo a ABGLT, está a possibilidade de adotar o sobrenome do parceiro, de assumir a guarda do filho do cônjuge. Já o governo fluminense pede também a inclusão de cônjuges do mesmo sexo em planos de saúde e o direito à herança, entre outros.
Para o coordenador da campanha estadual Rio sem Homofobia, Cláudio Nascimento, a expectativa é que o STF siga o estendimento para o país o que já foi conquistado caso a caso nos tribunais.
- No debate sobre união civil homossexual, o Poder Judiciário tem sido mais ativo que o Legislativo. As sentenças têm sido favoráveis, mas o direito precisa ser coletivo. Para a nossa alegria contamos também com um dos relatores mais progressistas em direitos humanos dentro do plenário, Ayres Britto.
Nascimento explica que o processo do Rio baseia-se na questão que todos são iguais perante a lei.
- Será um momento muito importante, por isso torcemos para que não seja adiado. Os homossexuais são cidadãos dignos, que pagam seus impostos e, no entanto, não são devidamente respeitados.
O relator das ações é o ministro Carlos Ayres Britto. Para passar a valer legalmente, a união homoafetiva precisa contar com o voto da maioria dos ministros presentes na sessão, prevista para começar as 14h.

Beneficiados
De acordo com dados do Censo 2010, divulgados em abril, cerca de 60 mil brasileiros dizem morar com cônjuge do mesmo sexo. O número corresponde a 0,03% do total da população. Já 19,7% dos brasileiros afirmam morar com cônjuge de sexo diferente.
Entre os Estados, o Rio de Janeiro teve a maior concentração 0,063%, ou seja, seis de cada 10 mil. Para Nascimento o número ainda está longe da realidade.
- Algumas pessoas ainda não se aceitam. Lembro que quando perguntavam sobre a cor, muitos negros colocavam-se como pardos. O número de gays no Brasil é significativo.